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  • Tati Regis

Meus 22 favoritos de terror de 2022- por Tati Regis

O que mais se ouviu ao longo do ano de 2022 foi de como seria um ano bom para os lançamentos de horror, principalmente depois de várias restrições e adiamentos de lançamentos por conta da pandemia de Covid-19. Muitos filmes anunciando datas, soltando cartazes, trailers e nós, os fãs, só aumentando o entusiasmo e alimentando o monstrinho da expectativa. Alguns desses filmes conseguiram êxito e não deram nada de indigestão no monstrinho, já outros...renovou com sucesso o fatídico ditado: a expectativa é a mãe da merda. Outra coisa que me chamou a atenção foi a diversidade dos horrores e dos olhares para esse horror, seja vindo na forma irreal, como fantasia, seja vindo através do horror real e, isso, acredito, se deve ao número bom de filmes feitos por realizadoras e de diversas nacionalidades, o que só faz enriquecer o gênero. Canibais, alienígenas, monstros em porão, influencers assassinos, assombrações, psicopatas, crianças assustadoras, horror corporal, bruxas formaram um monte de filme massa e é basicamente o que você vai encontrar na lista do que acabou sendo os meus favoritos de 2022.

Bora lá?

Ah, mas antes deixa explicar que do 22 ao 11 não tem ordem de preferência e isso só é levado a sério do 10 ao 1. Ok? Ok.

Bora lá?

22- Saloum (2022)

Do diretor congolês Jean Luc Herbulot, carrega na trama diferentes estilos e gêneros, começa como um thriller policial e a história vai escalando para um terror politico social até desaguar de forma magistral num terror sobrenatural. Tem como mote o destino como maldição e algumas referências a clássicos frenéticos de ação dos anos 80 e 90. a trama gira em torno de um trio de mercenários que em meio a um golpe de estado no Guiné-Bissau, o grupo intitulado de Bangui Hyenas, se refugia ao mesmo tempo em que precisam levar um traficante e sua bagagem de ouro e drogas para Dakar, no Senegal. É nas margens do rio Saloum que eles se escondem. Quis trazer esse daqui por motivos de ser um cinema de horror o qual a gente aqui no ocidente não tá muito familiarizado e por isso achei importante, além de ser um filme ótimo e que realmente me prendeu.


21- Hellbender (2021)

Fruto da parceria familiar dos Adams, Hellbender foi uma grata surpresa que vi em 2022. Dirigido por Toby poser, John e Zelda Adams, conta a história de uma adolescente que vive isolada numa casa em meio a uma floresta com sua mãe e as duas tem uma banda de metal. A mãe fala para a filha que ela tem uma doença e por isso precisa evitar o contato com outras pessoas, mas tudo vai por água abaixo quando ela encontra outros adolescentes e cria laços de amizades com eles. Bom filme sobre amadurecimento, ancestralidade e do inevitável destino de uma bruxa. O visual do filme é incrível.


20 – Medusa (2021)

Sempre atenta a questões sociais, Anita Rocha da Silveira traz em Medusa uma critica social foda e feroz, quando um grupo de adolescentes religiosas se comportam como uma gangue pelas ruas do Rio de Janeiro perseguindo outras adolescentes para espancar só porque estão até tarde na rua ou fazendo coisas que essas “minis fundamentalistas” acreditam ser pecaminosas. Histeria, neon, canções religiosas, devoção, pureza, pecado e pesadelos, tudo isso forma esse filme imperdível que pelo visto as distribuidoras brasileiras comeram mosca em ainda não lançarem por aqui. Oremos que em 2023 role.


19 – O Predador: A Caçada (2022)

Do diretor Dan Trachtenberg, deixou todo mundo cismado quando foi anunciado, mas aí chegou que Naru chegou botando quente e acabou conquistando um monte de gente, inclusive eu. Um filmão que antecede a história d’O Predador original de 1987 e se passa em 1719 quando uma indígena guerreira sagaz e habilidosa precisa enfrentar um predador alienígena para proteger seu povo, além disso, ela tem que enfrentar a dúvida, o machismo e quebrar tradições de sua tribo.


18 – Verão Fantasma (2022)

Esperadíssimo do ano, o filme de Matheus Marchetti conta a história de Martin, um jovem que se envolve com Lucas e os dois estão numa casa no litoral paulista e investigam o sumiço de um amigo de infância de Martin. Entre lembranças e sonhos, as pistas vão levando os dois a uma opera de horror queer exuberante, colorida, sensual, misteriosa e musical.


17- Hatching (2022)

Um body horror finlandês de responsa, dirigido por Hanna Bergholm, a história acompanha a família de Alli, uma garotinha que sofre pressão de uma mãe perfeccionista e influencer familiar das redes sociais, só que nem tudo é como aparenta ser. Um filme sobre amadurecimento que além de se utilizar do gore do horror corporal, usa muito bem as metáforas para contar a trama.


16 – Noites Brutais (2022)

Do diretor Zach Cregger, o filme conta três histórias que se convergem numa só, mas tudo começa quando uma mulher sozinha aluga um Airbnb e quando chega na casa ela já está ocupada por um homem, o dilema é: passar a noite ali, pois chuva muito forte + horário, ou cair fora e resolver depois. Bom, como filmes de terror tendem a começar por ações estupidas, ela resolve ficar e aí deu-se a tragedia.


15 – Piggy (2022)

Uma garota acima do peso que sofre gordofobia das colegas de escolas, da cidade e até da família. Tudo ela internaliza, mas chega um dia que seu caminho se cruza com a de um assassino e ela vê suas algozes sendo sequestradas por ele, a garota se vê tendo que tomar uma decisão: contar a polícia o que viu ou seguir a vida e ser grata ao homem por ter a livrado dessas pessoas? Um filme de Carlota Pereda muito bem dirigido e que trata o corpo gordo em tela com respeito e dignidade, mesmo que os personagens caguem e andem para isso. Não tenho texto sobre Piggy, mas fui convidada junto com Raphaela Ximenes pelo canal Odisseia para debater sobre Bullying em Piggy e em Sissy, nesse link aqui .


14 – What Josiah Saw (2021)

O filme do diretor Vincet Grashaw parece desconectado como essa família. A princípio com três histórias sobre três irmãos e um pai violento, a trama chega num ponto que faz tua cabeça explodir. Essa família precisa se reencontrar na fazenda em que viveram depois de seguirem cada um com a sua vida, esse encontro os faz revelarem segredos e pecados do passado que eles acreditavam estarem enterrados. Horror gótico e psicológico de responsa, super atmosférico e perturbador. Ponto também para a trilha que te chama o tempo todo para dentro do filme.


13 – Corra, Querida, Corra (2020)

Aguardado desde antes da pandemia, teve sua estreia adiada e finalmente em outubro de 2022 entrou no Prime Video sem muito alarde e anuncio. Uma pena, pois o filme é ótimo! Dirigido por Shana Feste, conta a história de Cherie, uma mãe solo que faz de tudo para permanecer no emprego de secretaria de um advogado. Após uma aparente reunião de trabalho, ela é cortejada pelo cliente do patrão e passa a ser perseguida por ele por toda a noite. Um filme sobre luta pela sobrevivência e poder feminino, muito bom também como a diretora filma e escolhe o que mostrar em tela as vezes com personagens quebrando até a quarta parede.


12 – Até os Ossos (2022)

Quando o amor, o amadurecimento, a lealdade e o companheirismo surgem entre dois jovens que dividem uma condição que os faz viver à margem da sociedade. Luca Guadagnino dirige um filme visceral, sangrento e emocionante. Elenco incrível demais!


11 – Flux Gourmet (2022)

AAAA esse filme!! Do meu mais novo diretor queridinho Peter Strickland, Flux Gourmet acompanha um coletivo de arte que mistura performance, música eletrônica e culinária sônica numa residência artística e em meio a tudo isso um homem que foi contratado para documentar todos os passos do grupo, sofre de problemas gastrointestinais graves. Comentei sobre ele recentemente e se quiser ler mais detalhes, entra nesse link aqui


Uma pausa, pois agora chegamos na parte da lista organizada por ordem de preferência e confesso que desde que comecei a preparar essa lista, foi uma dança das cadeiras quase todo dia, foi doloroso pois queria todos em primeiro lugar, por motivos de todos ótimos. E já aproveito para agradecer a você que chegou até aqui e vai prosseguir. Oié, que papai do chão te guie e te guarde.

10 – Soft & Quiet (2022)

Dirigido pela sino-americana Beth de Araujo, o filme chegou também sem muito alarde, o salseiro foi se dando à medida que as pessoas foram assistindo e comentando. Cidadãs de bem acima de qualquer suspeita se reúnem para uma reunião regada a doces e sucos até que o teor da pauta e a decoração de uma torta são revelados. Daí é ladeira abaixo num misto de horror real e psicopatia sem cortes e acontecendo tempo real. Frenético e assustador.


9 – Fresh (2022)

A diretora Mimi Cave em sua estreia com longas, traz um filme envolvente e leve, mesmo abordando um tema pesadíssimo como sequestro de mulheres para terem partes de seus corpos arrancados e servir a um mercado de canibalismo formado por homens. Em meio a críticas sobre as formas modernas de se relacionar. As expectativas sobre amor e romance atinge em cheio a geração que se familiarizou a usar aplicativos para se relacionar. Uma sátira inteligente, bem humorada e diabólica que ainda traz a critica sobre poder e sociedade patriarcal.


8 - Pearl (2022)

A prequela de Ti West para seu slasher X – A Marca da Morte, traz a jornada da juventude de Pearl em 1918, as ambições e frustrações que fizeram ser aquela velha assassina de X. No meio de uma família repressora e de uma sociedade idem, a sonhadora e imaginativa garota quer ser uma estrela, mas nada sai como ela planejou e ela vai ter que viver para sempre presa naquela fazenda. Vou apelar para o clichê e comentar aqui: achei melhor que X. Ok, desculpem, eu falei isso, foi sem querer querendo.


7 – Master (2022)

Estreia na direção de longas de Mariama Diallo, o filme acompanha a jornada de três mulheres negras numa universidade da Nova Inglaterra tradicionalmente frequentada por brancos, além disso, tem todo o background de violência racista do local. Também já escrevi sobre o filme e para ler uma resenha mais completa é só clicar aqui.


6 – Nanny (2022)

Mais um filme super aguardado por mim e que também traz na direção de longas a estreia de uma diretora negra, Nikyatu Jusu. Nanny é uma fabula de horror sobre imigração, trauma geracional, pertencimento, apropriação e luta de classes. Acompanha Aisha, senegalesa que larga tudo, inclusive o filho, para tentar uma nova vida nos EUA. Sua missão é trazer o filho para perto e aí vai ser baba de uma família rica. Também escrevi sobre ele aqui.


5 – Resurrection (2022)

Filme tenso escrito e dirigido por Andrew Semans que traz de uma forma magistral a masculinidade toxica sem parecer querer ser o homem salvador ou feministo como o que dirigiu Men. Aqui, Rebecca Hall é mostrada como uma mulher forte, independente e que parece estar sempre no controle, até que alguém do seu passado aparece e tudo desmorona. Um filme que mostra o horror que é ser mulher e desacreditada mesmo quando está sofrendo fortes e pesadas violências, e o interessante é que o roteiro mostra como essa violência silenciosa da manipulação, destrói também. Escrevi mais sobre ele aqui.


4 – Speak no Evil (2022)

Eita filme lasqueira! É um daqueles em que te pede para sair da sua zona de conforto e entender o contexto de duas culturas totalmente diferentes da nossa. Duas famílias, uma dinamarquesa e outra holandesa, se conhecem de férias na Toscana e ficam amigas, até que um tempo depois a família holandesa convida os dinamarqueses para passar um final de semana em sua casa. Ninguém se conhece de fato, mas eles aceitam o convite e vão. A partir dai é choque de cultura e comportamento o tempo todo, os dinamarqueses, gente educadíssima e que parece não saber dizer não, se incomoda com várias coisas, mas vão deixando passar. Sabe o famoso “engolir sapo”? pronto. Uma sequência de pequenas violências acontece, mas nada parece importar o pai que confessa invejar a vida libertária do seu colega holandês. Dirigido por Christian Tafdrup, o filme te ensina a importância de impor limites e dizer não.


3 – You Won’t Be Alone (2022)

Folk Horror e Body Horror no mesmo filme, perfeito! ACom direção sensível de Goran Stolevski, conta a história de uma, criança que carrega uma “maldição”, cresce, vira uma criatura e agora tem que aprender o que a vida e o que ser humano. Uma mistura do sagrado com profano, poesia e gore numa pegada existencialista e onírica. Fotografia incrível também.


2 – Sissy (2022)

Fora o filme que está em primeiro lugar nesta lista, acho que Sissy foi o filme que mais falei durante o ano passado. Com direção de Hannah Barlow e Kane Senes, o filme segue a jornada de Cecilia/Sissy (Aisha Dee), uma influencer de bem estar com mais de 200 mil seguidores. Na rede, sua vida é perfeita e de sucesso, fora dela, nem tão perfeita assim. Um dia, Cecilia encontra sua ex-melhor amiga de infância Emma (Hannah Barlow) e elas marcam de sair. Sissy na infância, prefere agora ser chamada por Cecília e embora relutante com o convite, aceita. Já na festa e bastante alcoolizada, Emma faz outro convite para a amiga: curtir um final de semana com a antiga turma para a despedida de solteira de Emma. Sissy só não esperava que a casa do encontro fosse de Alex (Emily De Margheriti) que, inclusive, ficou nada feliz com a presença da influencer. As horas passam, Cecilia é hostilizada pela turma e acontecem coisas que descambam para uma imensa tragédia. "Sissy" é Slasher australiano de responsa com algumas críticas pertinentes ao que se tornou hoje as redes, às máscaras sociais e a percepção sobre a vida online e real dos usuários. Uma das excelentes surpresas que o horror trouxe em 2022. Também tem um texto sobre Sissy mais detalhado e completo.


1 – Nope (2022)


Enfim, chegamos ao meu favorito dos favoritos de 2022. Jordan Peele mais uma vez mostra que não é um aventureiro ou cineasta de um filme só, Nope veio para consagrar de vez sua carreira como diretor, seja qual gênero ou subgênero ele quiser abraçar. Aqui ele mistura ficção-cientifica, ação, comédia e horror numa trama que abraça fabulações e fantasias para abordar temas como apagamento de negros em hollywood, exploração midiática, resgate histórico e, claro, racismo, não da mesma forma que em Corra! Ou até mesmo Nós, mas ele tá lá e como homem negro estadunidense, nem tem como ele não falar isso. É vivencia, né? Enfim, também escrevi um texto mais detalhado sobre o filme e para ler é só clicar aqui.


É isto, pessoal, foi uma lista longa, mas necessária dado o tamanho da imensa oferta que o cinema de gênero em 2022 nos ofertou, espero que 2023 continue assim. Oremos!

 
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