• Thaís Vieira

Get the Hell Out

O cinema asiático tem nos presenteado com uma ótima gama de filmes nos últimos anos. Da ação ao drama temos bons exemplares e no terror podemos dizer o mesmo. The Wailing (2016), Impetigore (2019), Roh (2019) não nos deixam mentir, e cada diretor tem utilizado de suas práticas para levar a um público mais acostumado com o eixo EUA x Europa, horrores diferentes dos convencionais, ainda que um ou outro aspecto estadunidense esteja presente vez ou outra, trazendo assim elementos dispares que visam tratar de assuntos tanto aos seus países, como também a outros locais exaltando as diferenças culturais por meio da contemplação de novas estórias.


Dirigido por I-Fan Wang, Get the Hell Out é um filme de zumbis tailandês com uma premissa um tanto inovadora: um surto zumbi acomete o parlamento de Taiwan, só que isso não é tudo, pois, temos um recém nomeado parlamentar You-Wei (Bruce Ho), que anteriormente era guarda do local e foi agredido fisicamente pela agora ex-parlamentar Ying -Ying (antigo amor do guarda, interpretada pela atriz Megan Lai) em um ataque de fúria durante uma coletiva de imprensa, que quer que o parlamento continue governando sob a batuta dela, já que ela impõe isso logo de início.


E é justamente aí que se encontra um dos pontos fortes e também fracos do filme. O primeiro seria na ligação dos dois que se cria devido a necessidade da manutenção do poder, e vai se desenvolvendo aos trancos e barrancos mas vai. O ponto fraco está no fato de a personagem feminina ser masculinizada e agir constantemente de forma agressiva para se fazer valer em muitos momentos. Compreendo a posição do diretor uma vez que, ela é se não a única uma das poucas parlamentares (agora ex) e se encontra inserida em um ambiente repleto de homens que a testam infinitas vezes constantemente. O que acho desnecessária é a agressividade física. Porém ela é necessária quando os zumbis chegam.



Get the Hell Out é um filme frenético, e essa correria atrapalha em certa medida com que os personagens saiam da superfície dos estereótipos criados pelo roteirista. Há a junção de muitos gêneros em um único filme, então como em outras obras temos um cadinho de tudo: drama, comédia, terror, suspense político, crise ambiental... Essa salada funciona até certo ponto, e em certa medida o diretor consegue trançar os elementos criados.


As cores são utilizadas a favor tanto no realce do sangue como na construção das cenas de combate entre os heróis e os mortos vivos. Todo mundo sabe lutar, isso é inerente aos presentes na câmara, e isso ajuda e muito a que os personagens permaneçam vivos por um tempo pelo menos. Um pecado do diretor é utilizar da câmara legislativa como pano de fundo e não aproveita-la de fato. Não há qualquer sugestão de crítica a não ser algumas pinceladas sobre a animosidade real dos componentes da câmara e da corrupção que permeia este ambiente tão hostil.


Vale a pena ser visto pela mistura de elementos e pela grande quantidade de sangue, pedaços de corpos, gritaria e correria sem pausa. No entanto, pode ser que as diferentes junções de gêneros e elementos (como enquadramentos que remetem a HQs e videogames), e até mesmo a falta de aprofundamento não agrade a todos, mas compensa ver como o sistema capitalista juntamente com governos corruptos consomem a tudo e a todos, dos pés a cabeça.


Get the Hell Out (2020)


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção I-Fan Wang

Duração 1h36min

Gênero(s) Terror, Comédia

Elenco Megan Lai, Bruce Hung, Tou Chung-Hua +


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