• Monique Costa

Witch Hunt: bruxaria e inquisição nos tempos atuais

No começo deste ano, fizemos um episódio sobre Head Count, o primeiro longa da diretora e roteirista Elle Callahan, quando seu projeto mais recente ainda estava no circuito dos festivais. Com estreia adiada devido a pandemia, só foi recentemente que Witch Hunt veio a público, nos transportando e apresentando a um mundo cheio de magia e fantasia.


Caça às bruxas

1. Busca, e subsequente perseguição, de pessoas acusadas de bruxaria.

2. Campanha dirigida contra uma pessoa, ou grupo, mantendo pontos de vista não ortodoxos ou impopulares, geralmente baseada em evidências fracas, duvidosas ou irrelevantes.


O filme inicia com duas definições sobre caça às bruxas (como apresentadas acima), que regem todo o desenvolvimento da trama. Seguido a isso, já nos deparamos com uma forte cena de uma mulher ruiva sendo queimada em uma fogueira, na frente de suas filhas, por um grupo de homens. Mas o que mais assusta são os dizeres “New England, dias atuais”. Após essa breve introdução, somos levados ao sul da Califórnia, três meses depois, onde a história realmente irá se desenrolar.



Claire (Gideon Adlon) é uma jovem estudante do ensino médio, que seria como todas as outras se sua mãe Martha (Elizabeth Mitchell) não cedesse sua casa como lar temporário para bruxas em rotas de fuga. Por esse motivo, a garota vive em conflito interno, uma vez que é bombardeada de ideais inquisitórios na escola (tanto pelo sistema de ensino, quanto pelas suas amigas), e no seu lar é confrontada com a realidade dessas bruxas.


Mas tudo fica ainda mais agravante quando sua família cede espaço para as jovens Fiona (Abigail Cowen) e Shae (Echo Campbell), que viram sua mãe sendo queimada no início do filme. Impossibilitadas de seguirem seus caminhos, a presença estendida das irmãs afeta profundamente Claire, que além de criar uma relação cada vez mais forte com a mais velha das meninas, ainda desenvolve terríveis pesadelos e um perigoso sonambulismo.



A partir de então, vemos a tentativa dessa família em proteger as jovens bruxas do governo e da sociedade ao redor, além das jornadas de Claire e Fiona pelas suas autodescobertas e domínio de suas próprias forças e narrativas. A leitura sobre a perseguição de minorias é facilmente associada, embora o filme não se comprometa a seguir completamente por esse caminho. Ao invés disso, ele está muito mais focado em nos apresentar sua fantástica mitologia própria, e em inserir as práticas inquisitórias da Idade Média nos dias atuais.


E é justamente nisso que se destaca. A maioria das produções recentes sobre bruxaria se desenvolvem ainda em períodos antigos, embora sob perspectivas e discursos modernos. Já aqui, vemos o processo inverso: a magia adentra o mundo contemporâneo, cabendo aos antagonistas as práticas e mentalidades arcaicas (que na história, são representados pela BWI – a Agência Investigadora de Bruxaria, em tradução livre).


Portanto, se você também estava sedento por um filme sobre bruxas com uma roupagem mais atual, Witch Hunt pode ser uma boa pedida. Com atuações sólidas, efeitos dignos e conceitos próprios, o filme chega a referenciar diversas vezes o clássico Thelma & Louise, se desenvolvendo como um típico coming of age, enquanto nos apresenta um drama teen repleto de fantasia, onde o terror é causado pela sociedade ao invés do sobrenatural.


Witch Hunt (2021)


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Elle Callahan

Duração 1h32min

Gênero(s) Terror, Fantasia, Drama

Elenco Gideon Adlon, Abigail Cowen, Elizabeth Mitchell +


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