• Monique Costa

Ratu Ilmu Hitam: pânico satânico e a busca por vingança

Aviso de gatilho: abuso sexual infantil


Já estamos consideravelmente acostumados com filmes de terror retratando vingança, seja por seres humanos ou por entidades sobrenaturais. Portanto, é difícil que alguma produção consiga inovar em sua narrativa, uma vez que o assunto já foi explorado diversas vezes, sob as mais variadas perspectivas. Mas se Ratu Ilmu Hitam não reinventa a roda, ao menos consegue levantar discussões interessantes sobre o tema.


Dirigido por Kimo Stamboel e com roteiro de Joko Anwar, o filme é uma produção indonésia lançada em 2019 sobre três homens que levam suas famílias para visitar o antigo orfanato onde cresceram, e precisam enfrentar uma força maligna determinada a aterroriza-los.


AVISO DE SPOILER

O texto a seguir possui revelações sobre a trama.

Recomendamos que assista ao filme antes de ler!


Difícil não imaginar que a tal "força maligna" se trata de algum espírito em busca de vingança desses homens. E durante uma boa parte do filme, confesso que estava um tanto quanto decepcionada por achar que se tratava de mais uma caça às bruxas/pânico satânico, uma vez a mulher morta fora acusada de magia negra. Mas felizmente a trama se revela um pouco mais complexa que isso.


Ao longo do filme descobrimos que funcionária acusada de bruxaria havia incendiado um cômodo com três garotas, na tentativa de salvá-las do dono do orfanato, que abusa sexualmente das meninas pelas quais era responsável. Ele, por sua vez, convence os garotos do local que tudo não se tratava de pura malevolência da mulher, o que acarreta no aprisionamento e morte da "bruxa".



E para a nossa surpresa, não é ela quem assombra o orfanato. Sua filha, até então desaparecida, é quem comanda esse elaborado plano de vingança, o que nos leva a questionar sobre até onde tudo isso é justificável. Se por um lado, a acusação da Sra. Mirah já era uma atitude sem fundamento, o desejo vingativo de sua filha também deixa um extenso rastro de morte de pessoas inocentes.


Não estou aqui só para punir vocês. Estou aqui para criar o inferno. Você sabe o porquê? Porque eu não tenho certeza se existe um inferno depois da morte. Então quero ter certeza de que todos vocês vão para o inferno.

Mas apesar de toda essa temática e questionamentos relevantes, é importante ressaltar que por vezes a produção parece não saber para qual caminho seguir. Repleto de violência, mortes sangrentas e imagens de causar pesadelos nos tripofóbicos, o filme pesa a mão no gore sem necessidade, dado o peso da própria história. Sem contar que diversas cenas beiram o hilário, causando uma incômoda quebra de clima.



Por outra partida, houve bastante sensibilidade ao expor os casos de violência infantil. Nenhuma imagem gráfica é mostrada, não há descrição detalhada do que as crianças sofreram, e mesmo assim não fica qualquer dúvida sobre ter acontecido. Então por mais que a violência gratuita seja questionável, ao menos ela não é tão apelativa para chocar o espectador desavisado.


No final das contas, mesmo com seus problemas, Ratu Ilmu Hitam é uma boa pedida para quem busca um sobrenatural sem muita complexidade, ou para quem quiser conhecer mais sobre a diversidade do cinema asiático.


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