• Allan Azevedo

Books of Blood (Livros de Sangue)

Cada corpo é um livro de sangue; onde quer que seja aberto, somos vermelhos.

Em 1984, a ficção de terror estava no seu auge e isso duraria até o final da década. Inspiradas em parte pela popularidade de O Bebê de Rosemary e O Exorcista, as editoras estavam vendo aumentar a comercialização de material de terror como nunca nos tempos modernos. Mas o que começou como um banquete logo se transformou em uma bagunça, já que os editores sacrificavam a qualidade na tentativa de lucrar cada vez mais. O mercado de livros de terror era um lugar confuso, inundado com livros de baixa qualidade com capas ilustradas de esqueletos e bonecas sorridentes. Era uma época mais fácil para o terror ser publicado, mas muito mais difícil de ser notado em meio a tantas opções duvidosas.


E, no entanto, quando a primeira coleção de contos dos Livros do Sangue de Clive Barker foi lançada, o mundo do terror virou de ponta-cabeça. Aparecia algo completamente novo no mercado. As palavras de Barker não apenas aterrorizaram, elas traziam tentação e luxúria em forma de escrita. Leitores em todos os lugares foram atraídos pela mistura única de loucura, terror e pecado de Barker. Até mesmo Stephen King apelidou Barker de o "futuro do terror". E como o tempo mostrou, ele era.



Agora, o diretor Brannon Braga - junto com o escritor Adam Simon e o próprio Barker - criou uma nova antologia em forma de filme inspirada nesses seis volumes inovadores. O longa metragem, exclusivo Hulu, concentra-se em três histórias interconectadas da forma mais apavorante possível. No primeiro, Jenna (Britt Robertson) é uma jovem mulher esmagada pelo peso de um trauma recente e da misofonia, uma condição que soa impossivelmente perturbadora. Quando sua mãe ameaça interná-la, ela foge para a segurança de um distante Airbnb. Mas isso não a afasta de todos os problemas, como Jenna logo descobre.


A segunda história, "Miles", segue a personagem Mary (Anna Friel) que após a morte de seu filho de sete anos conhece um homem que afirma ser um médium que consegue falar com os mortos. Embora inicialmente cética, sua mente se abre para possibilidades sobrenaturais quando o homem chamado Simon (Rafi Gavron) entrega uma mensagem que só poderia ser de seu filho falecido. Mas é claro que não é tão simples. Os mortos têm tantas histórias e é perigoso para quem decide ouvi-las todas de uma vez. O filme termina com "Bennett", a história de um homem em busca do raro Livro de Sangue. Mas apenas quando sua busca parece frutífera, o verdadeiro terror de seu prêmio é revelado.


O que diferencia Barker de outros escritores é que, enquanto a maioria dos protagonistas do terror lutam incansavelmente por suas vidas, em última análise, os heróis de Barker anseiam pela destruição. Esse desejo interno exerce uma influência paralisante na psique, e o diretor Brannon Braga fez um ótimo trabalho traduzindo esses sentimentos para a tela. São pessoas comuns em circunstâncias extraordinárias e a câmera de Brannon capta isso perfeitamente em cada esquina. O diretor sabe que o segredo de um susto eficaz é a contenção: ele se concentra no enredo, construindo continuamente a tensão até que a história se torne tão inflamada que não há opção a não ser a liberação.


Para quem gosta de terror psicológico e com cenas gore, assista sem medo aos Livros de Sangue. Coloque sua mente nas mãos de Clive Barker. Deixe-se levar e aproveite o passeio.


Livros de Sangue (2020)

Books of Blood


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Brannon Braga

Duração 1h47min

Gênero(s) Terror, Ficção Científica

Elenco Britt Robertson, Anna Friel, Yul Vazquez +


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