• Monique Costa

A complexidade e insignificância humana em “Masking Threshold”

Claustrofóbico, experimental, introspectivo, cósmico, ilusório... essas são algumas descrições possíveis para Masking Threshould, o último longa de Johannes Grenzfurthner, que também assume o roteiro ao lado de Samantha Lienhard, além de incorporar o protagonista da história, nos guiando para uma gama de questionamentos desconfortáveis e nos apresentando respostas e soluções ainda menos palatáveis.


A partir da narração de Ethan Haslam, somos apresentados a um ex-doutorando que trabalha com TI e é atormentado por um zumbido incessante e clinicamente inexplicável. A condição arruinou sua vida acadêmica, profissional, amorosa e familiar, e na tentativa de solucionar o problema, ele decide transformar sua casa em um laboratório, onde conduz os mais variados experimentos que a medicina comum falhou em lhe proporcionar.


O primeiro ato é focado inteiramente na construção desse personagem. Enquanto prepara os equipamentos, a voz em off nos conta suas motivações, seus métodos e sobre todas as tentativas frustradas de dar fim em sua agonia. Mas além da apresentação desse relatório experimental, também entendemos mais sobre as angústias e medos que o conduzem, suas crenças e descrenças, suas relações interpessoais e os aspectos que o distingue.



E é com todo esse contexto que nos transformamos nos verdadeiros observadores dessa pesquisa e, diferentemente do protagonista, conseguimos alcançar o feito de não afetar o objeto estudado. Mas assim como ele, também estamos munidos de preceitos e vivências únicas, capazes de alterar a forma como percebemos e interpretamos os resultados obtidos – portanto se preparem para muitas divagações filosóficas, psicológicas e sociológicas.


Contudo, não é só a narração que corrobora para essa circunstância. Os enquadramentos majoritariamente em primeira pessoa e as imagens constantemente ampliadas subvertem as escalas naturais, e os papeis de significância são frequentemente deturpados. Uma formiga já não parece um ser frágil e irrelevante, enquanto a suposta superioridade humana é colocada em cheque quando confrontadas com as nossas ignorâncias.


Claro que toda essa concepção de “cientista” obcecado já traz consigo uma sugestão de tragédia anunciada, que se faz cada vez mais evidente conforme o nível dos experimentos também se alavancam. Sendo assim, não espere grandes surpresas ou respostas óbvias em Masking Threshould. Ao invés disso, prepare-se para adentrar nas manias, delírios e consequente declínio de um personagem que já não tem mais nada a perder.


O filme está disponível no XVIII Fantaspoa e pode ser assistido gratuitamente através da plataforma de streaming Darkflix entre os dias 22 de Abril e 1° de Maio.

 

Mascarando Limites (2021)

Masking Threshold


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Johannes Grenzfurthner

Duração 1h30min

Gênero(s) Terror, Fantasia, Drama

Elenco Ethan Haslam, Johannes Grenzfurthner, Katharina Rose +


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