• Tati Regis

5 +1 MELHORES FILMES QUE VI EM OUTUBRO

Oi gente, vamos almoçar? Rs


Outubro é o mês do Terror, ou das Bruxas, ou do Saci, ou da Matinta Pereira. E por isso, é o mês que ocorrem alguns dos lançamentos mais esperados como o Halloween Ends e o novo Hellraiser, e também o mês em que páginas, sites, blogs e canais de cinema dedicam suas postagens para o conteúdo de gênero. Só que, para a gente que vive e respira terror quase o tempo todo, é só mais um mês que usamos como desculpa para maratonar sem culpa os filmes e séries atrasados da watchlist. Por conta disso, resolvi fazer uma listinha com alguns dos melhores filmes que assisti em outubro lançados em 2022 ou não. Deixei em cinco, mas não podia deixar de fora a última indicação e na hora certa defenderei o porquê ela está. Vamos lá?


1. Sissy (2022, Dir: Hannah Barlow e Kane Senes)

O filme segue a jornada de Cecilia (Aisha Dee), uma influencer de bem estar com mais de 200 mil seguidores. Na rede, sua vida é perfeita e de sucesso, fora dela, nem tão perfeita assim. Um dia, Cecilia encontra sua ex-melhor amiga de infância Emma (Hannah Barlow) e elas marcam de sair. Sissy na infância, prefere agora ser chamada por Cecília e embora relutante com o convite, aceita. Já na festa e bastante alcoolizada, Emma faz outro convite para a amiga: curtir um final de semana com a antiga turma para a despedida de solteira de Emma. Sissy só não esperava que a casa do encontro fosse de Alex (Emily De Margheriti) que, inclusive, ficou nada feliz com a presença da influencer. As horas passam, Cecilia é hostilizada pela turma e acontecem coisas que descambam para uma imensa tragédia. "Sissy" é Slasher australiano de responsa com algumas críticas pertinentes ao que se tornou hoje as redes, às máscaras sociais e a percepção sobre a vida online e real dos usuários. Uma das excelentes surpresas que o horror trouxe em 2022.


2. Noites Brutais/Barbarian (2022, Dir: Zach Cregger)

O que você faria, sendo uma mulher, se alugasse um Airbnb num lugar super esquisito, de noite, caindo um temporal e quando chegasse pra se instalar o lugar já estivesse ocupado por um homem? Essa é a saga e o dilema de Tess (Georgina Campbell) quando encontra Keith (Bill Skarsgard) já instalado na casa. A situação embaraçosa é contornada, porém ainda receosa e ressabiada, Tess aceita passar a noite lá, pois no dia seguinte tem uma entrevista de emprego importante. Já de dia, percebemos que o bairro tem o entorno completamente abandonado, o que acrescenta mais mistérios à trama. Corta! E nesse interim, o ator famoso AJ (Justin Long), enquanto dirige seu super carro e canta feliz uma música, recebe uma ligação que vai mudar o rumo de sua carreira e de sua vida, a qual cruzará de alguma forma coma vida de Tess. O Interessante desse filme é como ele mostra que todo o problema inicial dos personagens, são “ficha pequena” para o problemão que os aguardam. Quanto menos souber sobre o filme, mais valerá a pena a experiencia de assisti-lo. Disponível no Star+



3. Pearl (2022, Ti West)

Esse foi um dos filmes que causou surpresa e espanto quando foi anunciado que iria ser lançado ainda em 2022. A prequela de “X”, acompanha a jornada de Pearl na juventude em 1918 e de como ela se tornou a “velha vilã”. Pearl, vivida por Mia Goth, mora numa fazenda no Texas com seu pai moribundo, sua mãe altamente repressora e seu esposo Howard está na guerra. Pearl é sonhadora, vive à dois graus da realidade e deseja sair daquele lugar e se tornar uma estrela de cinema. Só que nesse interim, acontecem coisas que a a transformam na assassina fria e cruel que conhecemos em “X”. Ti West volta à direção no segundo filme de sua trilogia e divide o roteiro com Mia Goth. Ele também edita e, para mim, é um dos pontos altos desta sequência. Toda a estética de Pearl emula antigos filmes de Hollywood como O Magico de Oz e traz o contraponto da inocência e da crueldade da personagem. Particularmente, consegui me conectar muito melhor com Pearl do que com X. Gostei bastante da atuação de Mia Goth completamente insana. Quero destacar aqui o marketing espontâneo feito por Martin Scorsese quando declarou que passou a noite sem dormir após ver o filme, e o curioso disso tudo é um cara que nos deu um dos psicopatas mais insanos do cinema, como Max Cady, vivido por Robert De Niro, falar isso sobre Pearl. Ah, claro que não podemos esquecer também do momento brilhante e digno de aplausos que foi o monologo de mais de seis minutos de Pearl com sua cunhada. Um dos melhores de outubro e sem duvida um dos melhores do ano.


4. Cerdita/Piggy (2022, Carlota Pereda)

Sara (Laura Galán) é uma adolescente com excesso de peso que sofre bullying de suas colegas de escola. Elas a chamam de porquinha e postam nas redes imagens de Sara e de sua família a qual chamam de os três porquinhos. É período de férias e boa parte dos jovens da cidade passam os dias na piscina comunitária da vila, menos Sara que prefere passar os dias estudando ou trabalhando no açougue dos pais. Numa tarde, depois da piscina esvaziada e deserta, Sara decide vestir um biquini e ir nadar, lá encontra apenas um homem desconhecido e é a única testemunha da violência feita pelas colegas de Sara que chegam no locam e a tentam afogar. Como se não bastasse isso, elas vão embora levando junto as roupas de Sara, a deixando seminua e totalmente abalada correndo na estrada de volta para casa. Mias violência no percurso até que Sara decide pegar um atalho e lá presencia o desconhecido da piscina sequestrando suas colegas e devolvendo a mochila e as roupas de Sara. Ela agora vive o maior dilema de sua vida: denunciar o homem que a salvou ou salvar as amigas que praticam violência com ela todo santo dia. Um filme que não fala apenas sobre bullying, mas traz para o horror questões como gordofobia também dentro das famílias, distúrbios alimentares, conflitos geracionais, estigma social do adolescente, passividade e indecisão diante de momentos importantes. Importante ressaltar a atuação de Laura e o cuidado que Carlota tem com a câmera e com o corpo da protagonista. O longa é baseado no curta de mesmo nome dirigido também por Pereda e estrelado também por Laura Galán. Vale muito a pena ver os dois.


5. Corra, Querida, Corra/Run Sweetheart Run (2020, Shana Feste)

Cherie (Ella Balinska) é uma mãe solo que trabalha como secretária num escritório de advocacia e precisa muito se manter no emprego. Num dia, seu chefe pede que ela o substitua num jantar de negócios com um importante cliente, pois na mesma hora marcou a comemoração de seu aniversário de casamento. Cherie se apronta e encontra Ethan (Johan Philip Asbaek) em sua luxuosa residência, o que era um jantar profissional, acaba virando um promissor date que acaba virando uma sangrenta caçada noite adentro. “Corra, Querida, Corra”, novo da Blumhouse, foi mais um filme que teve seu lançamento adiado e incerto por conta da pandemia de covid e chegou totalmente de surpresa direto no streaming. É uma história de vingança, sobrevivência e perseguição. Seu algoz, um homem aparentemente sedutor, guarda um segredo e se mostra extremamente misógino e irredutível na sua violência. Ele persegue sua vítima durante a noite e joga com ela: "Se você sobreviver a esta noite, eu lhe deixo em paz". Cherie é uma protagonista forte, poderosa e que não vai desistir fácil de lutar por sua vida. A forma como a diretora trabalha a câmera e a subjetividade da violência também tornam esta produção interessante e poderá entrar fácil em algumas listas de melhores filmes de horror do ano, mesmo sendo de 2020. “Corra Querida, Corra” está disponível no Prime Video.


BÔNUS: O Gabinete de Curiosidades de Guillermo del Toro (2022)

A produção bônus da lista de hoje é essa série tão, mas tão aguardada, pelo menos aqui em casa. Rs Lançada pela Netflix e criada por Guillermo del Toro, a série apresenta oito episódios em formato de antologia com diretores e diretoras renomados e outros nomes promissores a convite e curadoria de del Toro. São histórias adaptadas de contos do próprio Guillermo, de H. P. Lovecraft e mais alguns nomes da literatura fantástica e de horror. Del Toro apresenta os episódios e sua empolgação ao apresentar, é contagiante. Como todo conjunto de histórias independentes, a série tem seus altos e baixos, mas no geral o saldo é bem positivo. Não vou destrinchar todos, mas quero destacar alguns dos que me deixaram mais empolgada, intrigada e temerosa.

“Ratos de Cemitério” é o episódio 02, dirigido por Vincenzo Natali (Cubo, 1997) e o que mais gostei de toda a antologia. Verdadeiramente assustador, claustrofóbico e desesperançoso, acompanha um ladrão que rouba objetos valiosos dos cadáveres do cemitério que administra. Ele quer pagar suas dívidas, mas não tem sucesso e fica de olho no tumulo de um milionário, mas para conseguir roubar os objetos, ele vai ter que enfrentar milhares de roedores e um verdadeiro labirinto subterrâneo.

“A Inspeção”, é um horror cósmico dirigido por Panos Cosmatos e o 7° episódio da série. Nele, acompanhamos o milionário recluso Lionel (Peter Weller) que convida algumas pessoas com especialidades e talentos em diversas áreas de cultura e conhecimento para uma experiencia sui generis de expansão da mente e consciência. Algumas conversas, drogas e bebidas depois, a coisa descamba realmente para algo que expande e o que era pra ser uma noite inesquecível, vira um completo pesadelo.

“A autópsia” é o 3° episodio da série e também o 3° deste ranking. Dirigido por David Prior, baseado no conto de Michael Shea e com F. Murray Abraham e Glynn Turman no elenco. Nele acompanhamos o pedido de ajuda de um experiente xerife a seu velho amigo, um médico legista na tentativa de desvendar o motivo por trás de algumas mortes misteriosas. Um body horror monstruoso de responsa.

“Por Fora”, dirigido pela promissora Ana Lily Amirpour (Garota Sombria Caminha pela Noite, 2014), é o 4° episódio e conta uma história pavorosa sobre rejeição e não pertencimento. Também se utilizando do Horror Corporal, Amirpour conta a jornada de Stacey, uma mulher que é tida como esquisita por não acompanhar o padrão das suas colegas de trabalho. Um dia, após um jantar de Natal com as elas, Stacey utiliza um creme de beleza que ganhou de presente e acaba causando transformações irreversíveis nela.

Esses foram meus 4 favoritos, mas tem um que merece ser citado por trazer nomes como Jennifer Kent na direção e Essie Davis no elenco, repetindo a parceria que fizeram em Babadook (2014). “O Murmurio” é um episódio de combustão lenta que envolve uma mulher traumatizada numa casa assombrada. Um típico exemplar de horror gótico bem construído, mas que pra mim, deixou a desejar em alguns aspectos de seu desenvolvimento tornando a história enfadonha. Porém, vale muito ser visto, assim como toda a série, pois del Toro e tudo que vem agregado a seu nome, tem credibilidade garantida.


É isto...tem salada, mas não vou querer. rs Até a próxima, pessoal! E se você chegou até aqui, muito obrigada!


 

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