• Monique Costa

Hotel Poseidon: adentrando em um sonho literalmente molhado

Às vezes nossos sonhos dão palco para que nossos desejos possam florescer, revivendo ou encenando possibilidades que por hora não se fazem concretas. Às vezes, nossos descansos são invadidos por demônios internos e externos que dão forma aos nossos maiores medos. Mas às vezes, nossos mundos oníricos são uma mescla entre realidade e abstração capaz de render no mínimo um mês de debate na terapia, e é nesse contexto que podemos tentar explicar um pouco sobre o que é assistir Hotel Poseidon.


Dirigido e roteirizado por Stef Lernous, este longa belga é uma realização da companhia teatral Abattoir Fermé que marcou presença em diversos festivais de gênero ao redor do mundo, vencendo inclusive algumas categorias. Nele, acompanhamos 24 horas da vida de Dave (Tom Vermeir), um dono de hotel visivelmente desmotivado que tem sua rotina pacífica desestruturada com a chegada de visitantes inesperados aliada a memórias e pesadelos recorrentes que parecem adentrar à sua realidade.


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Não há muito para o que falar além das breves sinopses que encontramos por aí, e o motivo disso é a ausência de uma estrutura convencional. Não encontramos um mocinho para torcer, um vilão a odiar e muito menos uma introdução, clímax e desfecho bem delimitados. O filme se desenvolve na mesma lógica onírica a qual se propõe – ou seja, nenhuma. E não digo isso como crítica negativa, muito pelo contrário, ele é exatamente o que podemos esperar desse tipo de narrativa, portanto estejam com as expectativas alinhadas.



Como uma verdadeira viagem na psique do protagonista, Hotel Poseidon aposta no surreal e no absurdo para nos contar quem é aquele personagem, como é sua vida e como ele chegou até ali. Figuras e acontecimentos aparentemente aleatórios invadem seu espaço sem qualquer anúncio, somente para desaparecerem da mesma forma. Mas isso não significa que eles não têm importância. São peças-chave para conectar seu trabalho com a sua família, seus anseios amorosos com suas projeções individuais.


E isso tudo ambientado em um local decadente, que faz jus ao deus referenciado no título por ser incomodamente úmido. Com suas paredes escorrendo, os objetos cheios de lodo e seus personagens que mais parecem corpos encontrados em água, o clima é frio e pouco convidativo mesmo quando está massivamente ocupado. Inclusive, sua montagem deixa evidente o seu cerne teatral, o que constitui outro ponto alto do filme.


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No entanto, por mais que Hotel Poseidon nos remeta a deterioração dos contos de Edgar Allan Poe, aos “mortos-vivos” de Roy Andersson ou às tramas oníricas de David Lynch, ele não chega perto de nenhuma dessas grandes obras. Apesar de uma execução decente, não há muito no que se destacar ou apegar, mesmo com sua variedade de leitura e riqueza de detalhes. Mas de qualquer forma, é algo a ser conferido para quem curte o estilo.


O filme está disponível no XVIII Fantaspoa e pode ser assistido gratuitamente através da plataforma de streaming Darkflix entre os dias 25 de Abril e 1° de Maio.

 

Hotel Poseidon (2021)


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Stef Lernous

Duração 1h30min

Gênero(s) Terror, Drama

Elenco Tom Vermeir, Ruth Becquart, Dominique Van Malder +


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