top of page
  • Foto do escritorTati Regis

Medusa Deluxe (2023)

Mistérios, whodunnit, segredos, plano-sequência, egos, competições, cabeleireiros talentosos, luxo, muito luxo, obsessão e assassinato. Tudo isso forma a base para a trama de "Medusa Deluxe", filme inglês dirigido e escrito por Thomas Hardiman cuja história gira em torno de uma morte misteriosa, um escalpelamento e de saber quem é o assassino. Ou assassina.


Há tempos o “quem matou” instiga o interesse de criadores de história, desde a literatura às telonas. A simples indagação também é o suficiente para despertar a curiosidade do leitor ou do espectador quando confrontado com a morte numa obra, mostrando que cada personagem presente na trama tem motivos potenciais para ser um assassino, como fizeram de forma magistral Arthur Conan Doyle e Agatha Christie, assim como também as adaptações de suas obras tanto para teatro, tv ou cinema. Mas o que o primeiro longa metragem de Hardiman tem de especial ou de diferente de tantas outras obras já feitas nesse estilo?


Ambientação e forma de filmar. Hardiman e Robbie Ryan, diretor de fotografia de Medusa Deluxe, construíram uma obra, a meu ver, fascinante, quando desconstroem o ambiente de filmes de crimes em ambientes de casarões chiques e passam para uma competição regional de cabeleireiro, além disso, e para mim o grande atrativo, é que foi feito para parecer que foi filmado em uma tomada só, como se fosse um longo plano-sequência. Recentemente, lá pelo ano de 2019, vi um filme de mistério crescente que foi feito de forma parecida, para parecer uma tomada só, é o Rendez-Vous do diretor Pablo Olmos Arrayales. Uma história aparentemente comum, mas que pela forma como foi contada, se torna mais atrativa. Lembro de outro também com o tema já batido de viagem no tempo chamado Dois Minutos Além do Infinito, mas que novamente se torna especial por sua técnica. É assim que Medusa, uma história repetida já tantas e tantas vezes, se torna diferente dando uma visão refrescante ao subgênero.

Estava tudo pronto e armado para a competição acontecer, os profissionais estavam nos últimos ajustes de seus penteados, nervos a flor da pele, ânimos acirrados e uma disputa que é tida como a grande oportunidade para alguns que estão ali. Cleve (Clare Perkins) por exemplo, além de se preocupar com seu penteado, tem que se preocupar agora com um assassinato e de como isso afeta os rumos da competição. Ela é uma mulher que trabalhou duro para esse dia e reclama sobre isso de uma forma raivosa enquanto penteia tufos da peruca de sua modelo. Entre reclamações, confissões, nervos à flor da pele e uma câmera que se move apresentando mais personagens, ficamos sabendo que a vítima se chama Mosca, um estilista conceituado que foi escalpelado.


Quem organiza o evento é Rene (Darrell D’Silva), ex-amante de Mosca e também suspeito desse crime. A lista de suspeitos cresce, Kendra (Harriet Webb) que vive de cochichos com Rene e tem um atrito com Cleve, Divine (Kayla Meikle), uma iniciante nesse mundo e que tem seus corres por fora além de toda sua coisa com religião. Temos também as modelos Timba (Anita-Joy Uwajeh), Etsy (Debris Stevenson), Angie (Lilit Lesser) e Inez (Kae Alexander) que vivem de fofocas e conspirações; Angel (Luke Pasqualino), atual namorado de Mosca e Gac (Heider Ali), um segurança inquieto, careca e de olhar estranho que tem o suspeito hábito de pedir lenços umedecidos emprestado. Acrescente a tudo isso uma boa dose de exagero que vão desde os diálogos ácidos, passando pelas reações de alguns personagens e terminando nos penteados que mais parecem esculturas de cabelos que carregam objetos como um barco brilhante em neon em azul dialogando super bem muitas vezes com os corredores ora super escuros, ora alaranjados do centro comunitário, lugar escolhido para a competição.


Cada personagem tem seu tempo de tela e eu adorei isso em Medusa, de como a câmera se move se jogando e se desligando de cada um ali. Reforço que esse é o maior acerto do filme, pois além de já termos o mistério de saber quem matou, o ritmo como se movimenta vai aumentando ainda mais o clima de tensão. Na mesma medida, Hardiman meio que exagera quando escolhe filmar a parte de trás dos personagens, seja focando na cabeça ou nas costas. Claro que sabemos os motivos, mas a repetição vai se tornando cansativa e acaba tirando o elemento criativo da trama. Entretanto, no geral, Medusa Deluxe é um filme e tanto, além de ser uma estreia positiva para Thomas.

 

MEDUSA DELUXE (2023)


Direção Thomas Hardiman

Duração 97 min

Gênero(s) Horror, Comédia

Elenco Anita-Joy Uwajeh, Clare Perkins, Darrell D'Silva, Debris Stevenson, Harriet Webb, Heider Ali, Kae Alexander +

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page