• Allan Azevedo

O Vilarejo - Raphael Montes

Confesso que conforme penso em como iniciar esta resenha, ainda estou boquiaberto com essa obra-prima do horror, escrita pelo carioca Raphael Montes.


Apesar de o livro precisar de mais volume (ele possui apenas 96 páginas) compensa isso com sete contos abundantemente bem construídos, nos quais podemos ver a maior indignidade possível de se achar nas atitudes de pessoas desesperadas. Do canibalismo à pedofilia, da escravidão ao homicídio, tudo o que há de mais degradante que um ser humano pode construir está em algum desses contos.


A premissa do livro é descrever a história do declínio de um vilarejo desaparecido entre as montanhas de um país qualquer incrustado no leste europeu. Fatigados pelo frio, pela fome e pela guerra, os habitantes daquele local começam a perder sua sanidade, a conspirar uns contra os outros e a ficarem paranoicos.


Imagem retirada do site https://www.raphaelmontes.com.br/o-vilarejo


E é aí que entram os estudos de um padre demonologista do século XVI que classificou cada um dos sete pecados capitais como tendo conexão direta com sete demônios específicos. Cada um dos sete contos, portanto, principia pelo nome de um demônio, seguido de um subtítulo, são eles:


  • Belzebu: Banquete para Anatole é o conto que principia o show de horrores que é O Vilarejo;

  • Leviathan: As Irmãs Vália, Velma e Vonda, é o conto destinado ao demônio da inveja;

  • Lúcifer: O Negro Caolho é o terceiro conto, ligado ao pecado da soberba;

  • Asmodeus: A Doce Jekaterina trata da luxúria;

  • Belphegor: A Verdadeira História de Ivan, o Ferreiro. Mais um conto que trata dos aspectos mais torpes da baixeza humana a preguiça;

  • Mammon: O Porquinho de Porcelana da Sra. Branka. Ganância;

  • Satan: Um Homem de Muitos Nomes é o conto que dá metade do desfecho genial do livro – a outra metade está no posfácio.


O que tenho a dizer é que O Vilarejo é um livro recomendadíssimo a quem tem um estômago forte e quer ler um terror mais sóbrio e sórdido. Seus sete contos, conectados entre si nos mínimos detalhes, podem ser devorados em apenas uma noite, conforme o fiz, mas a marca deles em sua lembrança é algo que vai permanecer por muito tempo, isso eu posso comprovar.


Imagem retirada do site https://www.raphaelmontes.com.br/o-vilarejo


Além disso, devo advertir que pela primeira vez encontrei um prefácio e um posfácio úteis numa obra. Ambos perfazem um conto extra por si próprios, e valem a pena serem lidos de acordo com a ordem do livro, para que o efeito causado seja captado com sua maior intensidade.


O trabalho gráfico também é envolvente, com manchas de sangue em algumas páginas, e assombrosas ilustrações em todos os contos. Se há algo de desfavorável a se dizer sobre a obra, é realmente apenas o seu tamanho, a sua concisão.


O Vilarejo cumpre absolutamente o que promete, e tem uma conformidade temática dificilmente alcançada pela maioria dos livros até mesmo de autores consagrados. Finalizando, para quem leu e deu nota máxima a esse livro, como eu, resta apenas esperar que o autor resolva escrever algo na mesma linha futuramente.

O Vilarejo

Editora Suma


Autor Raphael Montes

Illustração por Marcelo Damm

Ano da Edição 2015

Páginas 96


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