• Monique Costa

Koko-di Koko-da: uma fábula sobre luto e recomeços

Em seu segundo longa, o diretor Johannes Nyholm nos presenteia com uma produção capaz assombrar por dias os nossos pesadelos. Com uma narrativa extremamente única, humanística e psicológica, mas sem deixar de lado a violência e bizarrice que tanto buscamos nos filmes de gênero, Koko-di Koko-da se tornou uma obra atual e fácil de se relacionar devido ao momento em que nos encontramos.


Lançada em 2019, essa produção sueca-dinamarquesa inicia apresentando uma pequena família aproveitando suas férias. Com direito a pinturas faciais, passeios culturais, e experiências gastronômicas, tudo ia bem até que um acontecimento inesperado acaba por transformar a vida deles em um verdadeiro inferno.



Três anos depois do ocorrido, o casal Tobias (Leif Edlund) e Elin (Ylva Gallon) decide acampar, numa tentativa de salvar o casamento já muito desgastado. O clima de animosidade é sentido desde os minutos iniciais, embora ainda haja um resquício de ternura e esperança de que consigam se reconciliar e retornar a mesma dinâmica de antes.


Mas em meio a tantas discussões, ressentimentos e mágoas, eles não imaginavam que suas férias seriam interrompidas por uma trupe sádica determinada a estragar seus planos. Presos em um looping de terror e humilhação, o casal revive o mesmo dia inúmeras vezes tentando sobreviver aos ataques do trio que os persegue.



E é a partir desse plot que entramos em uma espécie de fábula onírica repleta de simbologias e mensagens. A leitura sobre luto e recomeços vai ficando cada vez mais clara ao longo da narrativa, mas é inegável a comparação aos tempos atuais. Se você seguiu o isolamento social neste momento de pandemia, vai conseguir se identificar muito bem com o sentimento de estar preso a um mesmo lugar, com medo por você mesmo e seus entes queridos, além da incômoda sensação de que todos os seus dias são os mesmos.


No entanto, mais do que essa óbvia verossimilhança, Koko-di Koko-da é um retrato sensível sobre uma família tentando sair do estado claustrofóbico causado por um trauma. Como em um pesadelo sem fim e fazendo mais uso da imagem do que de diálogos, muitos elementos podem parecer aleatórios e desconexos de início, mas aos poucos vamos notando seus verdadeiros significados e a forma como tudo se encaixa, revelando um sentimento muito maior e mais complexo.



O filme ainda tem outros elementos interessantes, como o uso de teatro de sombras, que dá um ar ainda mais fantástico a trama. As cenas filmadas sob a perspectiva de Maja (Katarina Jacobson) também são outro ponto alto da produção, ainda mais quando sua cena final é revelada, apresentando uma camada ainda mais impactante que pode receber inúmeras compreensões de acordo com as nossas crenças pessoais.


Portanto, se você está a procura de uma produção original, densa, sensível, aberta a interpretações, para além do óbvio, Koko-di Koko-da talvez seja uma boa pedida. Isso sem contar na sua trilha sonora marcante, com uma música que promete impregnar nas nossas cabeças, causando um mix de sentimentos que variam entre medo, tristeza e esperança.


Koko-di Koko-da (2019)


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Johannes Nyholm

Duração 1h29min

Gênero(s) Terror, Fantasia, Drama

Elenco Leif Edlund, Ylva Gallon, Peter Belli, Katarina Jacobson +

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