• Thaís Vieira

"Boys from County Hell" e o retorno dos que não foram

Antes de mais nada, eu gostaria de deixar claro que depois dos lobisomens (seres incompreendidos), vampiros são os monstros que mais gosto. Não posso afirmar com clareza qual personagem mais me encantou, no entanto, algumas das interpretações destes personagens acompanharam a maior parte da minha vida de cinéfila. Desde a inocência da comédia Deu a Louca nos Monstros (1987), a sensualidade do vampirão em A Hora do Espanto (1985), ou até mesmo o descontentamento com a sociedade em Os Garotos Perdidos (1987), sem se esquecer do caçador Blade (1998), cada um tem um nuance e suas singularidades fazem deles seres únicos e deslumbrantes.


Deixando um pouco de lado a bajulação, chegamos a mais uma aventura vampiresca salpicada de humor, gore e muita correria. Dirigido por Chris Baugh e distribuído pela Shudder, a trama se passa na pacata Six Mile Hill, a qual sobrevive do turismo ocasionado pela lenda do vampiro Abhartach (um nome dificílimo por sinal) que supostamente estaria enterrado em baixo de alguns pedras em uma propriedade local.


A questão é saber se a tal lenda tem algum fundo de verdade quando corpos com sangue drenado começam a aparecer, levantando outra questão: será que a brilhante ideia de construir uma rodovia passando pelo mesmo local onde a tal criatura estaria enterrada tem relação com as mortes? Bom, só assistindo pra saber, mas é fato que alguns litros de sangue se vão pelo caminho.



Nesta estória criada por Chris Baugh e Brendan Mullin o núcleo familiar e as relações pessoais existentes entre todo o elenco é um dos elementos cruciais para sanar o mal que assola a pequena cidade irlandesa, sendo assim temos George (John Lynch), dono da terra aonde estão as tais pedras, e seu filho William (Fra Fee), seu amigo Eugene (Jack Rowan) e Francie (Nigel O’Neal), o funcionário da empreiteira, além de alguns outros personagens com mais ou menos importância. Outro detalhe inerente a obra é que ele é repleto de piadas e diálogos risíveis e nem sempre eles funcionam tão bem...


O mais interessante é ver como os personagens se articulam para extirpar o mal inimaginável. Especulações surgem e a inteligência de muitos deles impressiona, o que por muitas vezes falta em personagens de vários filmes do gênero e acaba por ceifar a vida deles. Fugindo um pouco das piadas com e/ou sem graça, o gore existe e está presente, assim como alguns sustos (poucos, mas eficazes). O filme conta com dois problemas reais: a permanência de uma escuridão constante que por vezes atrapalha na hora de enxergarmos determinadas batalhas e a necessidade constante em fazer comédia em momentos que se ocupassem exclusivamente do terror seriam ainda mais primorosos.


As atuações são muito sólidas, os amigos, assim como os pais e a única garota com falas e atitude Claire (Louisa Harlan) são deveras verdadeiros e condizentes com o horror que estão vivendo tanto da mudança material (rodovia) quanto da sobrenatural (vampiro). No mais, vale conferir por se tratar de uma produção irlandesa e pela forma com que estes lidam com uma antiga lenda constantemente associada ao território estadunidense. Não é nenhum Drácula de Bram Stoker, eles definitivamente não lutam como o Blade mas tem seu charme a lá Deu a Louca nos Monstros, agora, com adultos.


Boys from County Hell (2021)


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Chris Baugh

Duração 1h30min

Gênero(s) Terror, Comédia

Elenco Nigel O'Neill, Jack Rowan, Louisa Harland +


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