• Monique Costa

A busca por controle e o livre-arbítrio em "Marionette"

Não é a primeira vez que comento por aqui sobre lançamentos que ganham um peso maior pela situação que estamos vivenciando. E quando digo isso, não falo somente sobre filmes envolvendo epidemias e pandemias, distopias ou cenários pós-apocalípticos, mas sim de qualquer produção que envolva uma ameaça desconhecida, ou que trate sobre sensações e sentimentos que antes eram conhecidos por uma pequena parcela da população, e que hoje são vistos de forma generalizada.


Dirigido por Elbert van Strien - que também assinou o roteiro ao lado de Ben Hopkins - e lançado em 2020, Marionette é uma coprodução entre Holanda, Luxemburgo e Reino Unido que dialoga diretamente com o nosso momento atual, por lidar com personagens a beira da loucura conforme vivenciam grandes perdas e tragédias, e sentem suas vidas tomando rumos inesperados, fugindo completamente de seus controles. Soa familiar, não é mesmo?



Mas vamos ao que interessa. Logo de primeira somos apresentados a uma cena bem tensa, com um homem no topo de um edifício se preparando para atear fogo em si mesmo, conforme discute com alguém que aparenta estar somente na cabeça dele. Ao longo do filme descobrimos quem era esse homem e os motivos que o levaram a tomar tal atitude, mas não é nele que a história se concentra.


Marianne Winter (Thekla Reuten) é uma psiquiatra americana que se muda para a Escócia na esperança de recomeçar sua vida. Desde o início já notamos dúvidas pairando sobre sua cabeça, e uma certa relutância em seguir por um novo caminho. Mas mesmo com essas questões internalizadas, não demora muito para ela desenvolver boas relações com seus colegas de trabalho e os demais membros de um clube literário no qual ela participa.


No entanto, um de seus pacientes parece perturbar essa normalidade. Manny (Elijah Wolf) é um garoto introvertido de 10 anos que acreditar ter poderes sobrenaturais. Ele passa seus dias desenhando acidentes e tragédias, que começam a coincidir com situações reais que Marianne vivencia. Logo ela começa a questionar suas convicções e a possibilidade de que Manny esteja orquestrando e manipulando sua vida como uma espécie de entidade sádica.



Um dos pontos altos do filme é não se utilizar de condições e transtornos psicológicos como armas de roteiro, o que é relativamente comum quando se trata desse tema. Ao invés disso, ele levanta discussões interessantes sobre controle e livre arbítrio dentro de perspectivas religiosas, filosóficas e até mesmo físicas. Por outro lado, essas questões são abordadas em diálogos extremamente expositivos, demonstrando certa subestimação do expectador.


E por mais que Marionette faça uso de elementos frequentes dentro do cinema de gênero, ainda consegue se diferenciar pelo seu desenvolvimento. Sua comunicação direta (mesmo que acidentalmente) com nossa atual sensação de impotência frente aos acontecimentos faz com que ele seja ainda mais intenso e fácil de se relacionar, e no final das contas ainda pode causar um pingo de esperança e alívio nesses tempos tão sombrios.


O filme estará disponível gratuitamente na programação do XVII Fantaspoa através da plataforma de streaming Wurlak/Darkflix, entre os dias 09 e 18 de Abril.

Marionete (2020)

Marionette


IMDb | Rotten Tomatoes | Letterboxd | Filmow

Direção Elbert van Strien

Duração 1h48min

Gênero(s) Thriller

Elenco Thekla Reuten, Elijah Wolf, Emun Elliott +


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